A INSUFICIÊNCIA DA ÉTICA TRADICIONAL EM RELAÇÃO À PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE SEGUNDO HANS JONAS

DUTRA, Gildasio Trindade1; SGANZERLA, Anor2;

Resumo

Introdução:A revolução tecnológica se desenvolveu de forma exponencial nas últimas décadas através da ascensão dinâmica da técnica. A filosofia também interessada e preocupada com esse cenário, coloca o ser humano como o principal responsável por tomar consciência. Em O Princípio Responsabilidade, ensaio de uma ética para a civilização tecnológica, (1979), Hans Jonas apresenta-nos a problemática que gira em torno da ameaça causada pela tecnologia, e das ameaças ao ser humano e ao ambiente em decorrência dessa interferência. Ele construiu sua filosofia a partir de uma concepção histórica sobre os desafios da contemporaneidade. O filósofo antecipou-se ao grande desafio que a humanidade precisava enfrentar ao se deparar com as novas trincheiras que a técnica moderna poderia alcançar.

Objetivo:Analisar por que a fundamentação da ética tradicional se tornou insuficiente para dar conta dos problemas à preservação do meio ambiente segundo Hans Jonas. Identificar como Hans Jonas percebe a influência da tecnologia (técnica moderna) na sociedade contemporânea e sua relação com a degradação ambiental. Apresentar o diagnóstico Jonasiano sobre a tradição ética e as implicações que o levou a pensar em uma ética para a civilização tecnológica. Analisar os pressupostos da nova ética de Hans Jonas e sua possível efetividade, a fim de atuar como freio voluntário diante da nova sociedade tecnocientífica.

Metodologia:Para a realização deste estudo foi adotado o método tradicional de leitura e fichamento de livros, artigos científicos e materiais que utilizamos conforme sugerido pelo professor orientador para o desenvolvimento da pesquisa. Além do estudo presente na literatura, utilizamos como obra principal: O princípio responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Para o rigor e absorção do conteúdo, em momentos oportunos promovemos debates com colegas e professores, a fim de melhor compreensão daquilo que estudamos.

Resultados:Para o pensador as éticas tradicionais tornaram-se insuficientes para dar conta dos problemas provenientes da técnica moderna, porque seus fundamentos eram antropocêntricos, consideravam o ser humano como único ser racional e livre, e portanto, o único protegido eticamente; consideravam a técnica como neutra; entendiam que existia algo no ser humano que era imodificável, e, desse modo, a ação da técnica, também seria limitada; e as avaliações humanas se davam a curto prazo.

Conclusões:Concluímos que a técnica (tecnologia) contemporânea produz vida, mas também pode ameaçar e destruir o ser humano e a natureza. Diante do cenário de domínio da natureza humana e extra-humana pela técnica, afirma Jonas é preciso ampliar a dimensão ética de modo com que as esperanças e promessas trazidas pela tecnociência não venham a se converter em ameaças à humanidade. Se a ciência moderna se preocupou em retirar o ser humano da natureza, à modo baconiana, Jonas busca recolocar o ser humano dentro da natureza, superando o dualismo, pois ele é parte e fruto dessa natureza, e, por ser o único que pode exercer a responsabilidade, tornar-se o seu cuidador. Logo, a vulnerabilidade humana e da natureza, diante do poder da técnica, exige, desse modo, uma ampliação da ética em vista de garantir uma vida autêntica no futuro.

Palavras-chave: Ética. Meio ambiente. Preservação. Responsabilidade.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador