ALTERAÇÕES TECIDUAIS E INFLAMATÓRIAS DA ICTERÍCIA ASSOCIADA À SEPSE EXPERIMENTAL PRÉ TRATADA COM GLUTAMINA

BERTINATO, Giovana Paludo1; COUTINHO, Elis Marangoni 3; FERNANDES, Daniella Khouri 3; ROCHA, Sergio Luiz2;

Resumo

Introdução:Sepse, choque séptico e a consequente falência de múltiplos órgãos ainda são as principais causas de morte nas Unidades de Terapia Intensiva, com uma letalidade aproximada de 55%. Uma das principais causas de septicemia é a icterícia obstrutiva, pelo fato de proporcionar alterações atróficas na mucosa intestinal, levando a lise da barreira mucosa, que aumentam a susceptibilidade do organismo a infecções. Neste processo, a resposta inflamatória é intensa e a glutamina, um importante modulador inflamatório, pode melhorar a evolução da doença.

Objetivo:Avaliar a utilização de glutamina enteral como fator de proteção intestinal em ratos submetidos a icterícia obstrutiva e a sepse abdominal, tanto no período prévio à icterícia quanto no período de icterícia associada à sepse, através da comparação histológica do íleo, fígado e pulmão.

Metodologia:Foram utilizados 18 ratos, Wistar, divididos em grupo experimental (A) e controle (B). O grupo A (n=11) foi submetido aos procedimentos de ligadura do ducto biliar comum (LDBC) e ligadura e punção do ceco (LPC) para promoção de icterícia e sepse, respectivamente. Nesse grupo, houve suplementação de glutamina no período prévio à indução de icterícia e durante a icterícia e sepse, com eutanásia realizada decorridas 48 horas da septicemia. O grupo B (n=7) foi submetido a dois procedimentos de laparotomia simulada, com suplementação de soro fisiológico antes e durante o intervalo dos procedimentos, com eutanásia realizada 48 horas após o segundo procedimento. As amostras de íleo foram analisadas histologicamente quanto a lesão de vilosidades, as de pulmão quanto a presença de neutrófilos e as de fígado quanto à área de esteatose microgoticular. A análise estatística foi feita através do teste não paramétrico de Mann-Whitney, com valores de p<0,05 indicativos de significância.

Resultados:A lise celular e o grau de destruição de vilosidades do íleo foi significativamente menor no grupo experimento (A) quando comparado ao grupo controle (B) (p= 0,042). Em relação aos demais órgãos, não houve diferença estatística entre os grupos quanto a área de esteatose microgoticular no fígado (p= 0,351) e a quantidade de neutrófilos apresentados no pulmão (p= 0,142).

Conclusões:O uso de glutamina enteral demonstrou-se eficaz no controle inflamatório intestinal em ratos submetidos à icterícia obstrutiva e sepse quando comparada ao uso de soro fisiológico em ratos submetidos ao estresse cirúrgico em laparotomia simulada.

Palavras-chave:SEPSE. ICTERÍCIA OBSTRUTIVA. GLUTAMINA. INFLAMAÇÃO

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador