LIBERDADE E SUBJETIVIDADE: UM DIÁLOGO ENTRE MERLEAU-PONTY E SARTRE.

BRITES, Simone Bastos de1; FALABRETTI, Ericson Savio2;

Resumo

Introdução:Esse trabalho discute a constituição do Ego elaborada na primeira fase da filosofia sartreana. Não sendo o Ego um habitante da consciência como uma estrutura rígida, a consciência mantém sua característica de abertura e a sua condição de liberdade, tendo com o mundo uma relação de intencionalidade. De forma análoga, verificamos na ontologia sartreana a estrutura do Para-si como consciência, e o Em-si como o objeto do mundo. O Para-si, que se relaciona com as coisas do mundo, nega a identificação com o objeto e transcende a si mesma no intuito de realizar-se, pois é liberdade.

Objetivo:Descrever a relação entre liberdade e subjetividade, apresentando os elementos constitutivos do Ego como fundamento dessa relação, conforme a primeira fase da filosofia sartreana.

Metodologia:A pesquisa aqui apresentada é uma revisão bibliográfica de caráter exploratório, teve como obra de referência uma leitura crítica das obras: A Transcendência do Ego (1936), O Ser e o Nada (1943) e O Existencialismo é um Humanismo, Fenomenologia da Percepção (1945).

Resultados:Em relação as críticas a Sartre, trabalhamos com dois elementos fundamentais apontados por Merleau-Ponty: o desenvolvimento histórico da consciência que nos permite compreender o que somos, ou o que fomos, e o corpo (si natural), que nos releva a nossa pertença natural ao mundo. Assim, para Merleau-Ponty, antes das nossas escolhas, da própria consciência pessoal, temos uma condição natural e histórica que, no mínimo, impõe uma situação ontológica para a nossa consciência e para as nossas escolhas, o que Sartre teria ignorado. Buscando responder às críticas de Merleau-Ponty, encontramos em Sartre uma liberdade que está relacionada com a capacidade do sujeito escolher algo com o qual possa se identificar enquanto uma consciência – Para-si – que se projeta no mundo.

Conclusões:Para além dos objetos do mundo, o Para-si se relaciona com outro Para-si, uma liberdade frente a outra, revelando meu ser-para-outro; me vejo porque o Outro me vê, tornando-me um objeto no meio do mundo, vivência que mostra a necessidade do Outro para a constituição da minha interioridade, seja me reconhecendo como o Outro me vê, ou negando, pois pela nossa condição de liberdade, frente às situações, somos responsáveis por nossas escolhas, somos o resultado de nossas escolhas, mesmo não querendo escolher, mesmo tentando ludibriar a liberdade, que é uma característica da má-fé, estaremos nos constituindo. O Para-si é inacabado, nunca será um Em-si, e será na existência com os Outros e com os objetos do mundo que irá se construir como subjetividade e como liberdade. Em Sartre, podemos concluir, que a liberdade supõe uma teoria da ação fundada em uma subjetividade sem qualquer pré-determinação ontológica. Sem a expulsão do “Eu”, feita através da redução fenomenológica do campo transcendental executada por Sartre, teríamos a consciência constituída, determinada, o que impossibilitaria a construção da sua tese fundamental sobre a liberdade, que podemos ler desde a Transcendência do Ego.

Palavras-chave: Ego. Consciência. Liberdade. Má-fé. Sartre.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador