CONDIÇÃO DE SAÚDE BUCAL DE IMIGRANTES

COLLA, Gabrieli1; MOYSÉS, Simone Tetu 3; MOYSES, Samuel Jorge2;

Resumo

Introdução:A intensa mobilidade humana atual motivada por desastres naturais ou questões de geopolítica internacional, tal como ocorre com a crescente imigração de haitianos para o Brasil, expõe essas populações a maior vulnerabilidade, adoecimento e baixa qualidade de vida. Conhecer o perfil de saúde bucal da população de haitianos na Região Metropolitana de Curitiba é importante para diagnosticar e intervir sobre a equidade em saúde, acesso e uso efetivo de serviços, além da qualificação de equipes para garantia do direito à saúde, em particular a saúde bucal.

Objetivo:Investigar o perfil de saúde bucal de imigrantes em Curitiba e município de sua respectiva região metropolitana.

Metodologia:A pesquisa foi desenvolvida em duas fases. Fase 1: revisão da literatura nas bases de dados PubMed, Scielo, BVS e SCOPUS, utilizando filtros para os anos de 2005 a 2018, com o objetivo de analisar o conhecimento já publicado sobre eventuais variações no perfil de saúde bucal de populações de imigrantes. Fase 2: estudo transversal desenvolvido com dois grupos de haitianos. Um questionário, desenvolvido em português e creole, foi utilizado para coletar informações sociodemográficas, atenção odontológica, além do relato de dor de origem dentária nas últimas quatro semanas e intensidade da dor. Um exame clínico da condição de saúde bucal permitiu avaliar a experiência de cárie e a perda dentária. Foi utilizada análise exploratório-descritiva de frequências.

Resultados:Foram incluídos oito artigos na revisão da literatura. Os artigos evidenciam iniquidades de acesso, utilização e recebimento de cuidados adequados nos serviços de saúde por populações de imigrantes em diferentes países. Barreiras no acesso e atenção em saúde estão relacionadas à dificuldade de comunicação e competências culturais dos profissionais para o acolhimento desses grupos específicos. Na pesquisa empírica, foram entrevistados 21 imigrantes haitianos moradores de Curitiba e São José dos Pinhais. Foi observada grande vulnerabilidade social entre os entrevistados, embora uma ampla maioria já tivesse sido atendida por algum cirurgião-dentista da rede pública nas cidades pesquisadas. A experiência de cárie foi considerada epidemiologicamente baixa (quanto a ter lesão de cárie não tratada, presente), mas a perda dental por cárie foi mais elevada (76,2%, com variação de 1 a 12 dentes extraídos), bem como 33,3% relataram dor de origem dental nas últimas quatro semanas.

Conclusões:Iniquidades socioeconômicas definem a experiência da maior parte dos imigrantes, expondo estas populações a um maior risco de adoecimento e menor qualidade de vida. A perda dental e a dor de dente foram condições bucais que mais evidenciaram um sinal de alerta sobre a necessidade de garantir a equidade de acesso a cuidados odontológicos a este grupo populacional, de forma inclusiva e com qualidade.

Palavras-chave:Imigrantes. Haitianos. Saúde bucal. Serviços Públicos de Saúde

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador