CONTROLE DA OBESIDADE EM ADULTOS: CONTEXTO DO CUIDADO NUTRICIONAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE

CARVALHO, Ana Paula1; SILVA, Isadora Sayuri M. da 3; LEINIG, Cynthia Erthal 3; RIBAS, Maria Teresa Gomes de Oliveira2;

Resumo

Introdução:As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são caracterizadas como doenças de longo curso que exercem impacto na qualidade de vida do indivíduo e representam importante desafio para a gestão em saúde, gerando sobrecarga nos sistemas e dificultando a produção de indicadores positivos de saúde. A obesidade compõe este quadro e o incrementa com crescimento nas taxas de prevalência e incidência. Sabe-se ainda que o componente alimentar está entre os fatores mais importantes para sua gênese e manutenção, entretanto, hábitos de vida e alimentares são determinados por uma rede complexa de processos sociais e o conhecimento pessoal da doença concorre na promoção de hábitos saudáveis. A partir disso tornou-se necessário a organização da Linha de Cuidado, com integração e colaboração entre atenção primária, de média e alta complexidade, com enfoque no cuidado integral da pessoa e capacitação dos cuidadores. Quando o tratamento longitudinal não apresenta os resultados esperados, pode-se recomendar a realização da cirurgia bariátrica.

Objetivo:Caracterizar as estratégias para o cuidado nutricional à obesidade em sujeitos adultos, em fase pré-operatória. Para tal, analisar o perfil sócio nutricional dos pacientes e suas percepções sobre estado nutricional, identificar marcadores de consumo e determinantes do comportamento alimentar e analisar estratégias de acesso a ações de diagnóstico, vigilância e educação alimentar e nutricional nas dimensões individual, familiar e coletiva ofertadas na atenção primária de saúde.

Metodologia:Estudo transversal, descritivo analítico desenvolvido em população adulta apresentando obesidade, com recomendação para realização de cirurgia bariátrica assistidos em uma Clínica Escola de Nutrição em Curitiba-Paraná entre os meses de setembro 2018 a junho de 2019. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, antropométricas, relativas aos hábitos alimentares e ao processo terapêutico percorrido por estes pacientes

Resultados:Em população de 67 pessoas, predominantemente feminina (82,09%), apresentando IMC médio de 43,6 (± 6,59 34,16-60,43) e idade média de 40,43 anos (± 11,65). As práticas mais comuns realizadas para redução do peso corporal foram reeducação alimentar, atividade física regular e dietas da moda. Sentimento de ansiedade e depressão (40,43%) e falta de tempo para realizar o cuidado nutricional (34,3%) foram os fatores mais relevantes na manutenção do excesso de peso e a qualidade de vida (89,63%) e a existência de doenças associadas (68,18%) são os motivos mais importantes na decisão pela cirurgia. Quanto às estratégias de cuidado realizadas junto à atenção primária, obteve-se que 31,34% tiveram atendimento como nutricionista, 37,31% passou por avaliação antropométrica e 17,91% realizou atividades de Educação Alimentar e Nutricional. 31,34% não realizavam acompanhamento e o diagnóstico de obesidade aconteceu há menos de um ano para 29,85%.

Conclusões:Alcance insuficiente das ações de vigilância, prevenção e promoção da saúde na atenção primária, recomendação cirúrgica para pacientes que não alcançam IMC mínimo preconizado e indícios de não realização de tratamento clínico longitudinal foram indicadores da necessidade de fortalecimento da organização do cuidado nutricional para realização da linha de cuidado da obesidade de modo organizado e eficaz.

Palavras-chave:Obesidade. Atenção Primária à Saúde. Cirurgia Bariátrica. Doença Crônica

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador