SUBJETIVIDADES SOBRE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO EM MICROAMBIENTE ALIMENTAR URBANO (FASE1)

LORENCETI, Janaine Salete1; RIBEIRO, Cilene da Silva Gomes 3; SANTOS, Caroline Souza dos 3; LIMA, Marcelo Ferreira de 3; ZAHRA, Rafaela Nasser 3; RIBAS, Maria Teresa Gomes de Oliveira2;

Resumo

Introdução:A obesidade, como problema complexo de saúde pública, tem impulsionado uma linha de pensamento científico voltada à perspectiva do ambiente obesogênico e seus possíveis efeitos no desfecho nutricional. A partir de conceitos ambientais e sociológicos surgem os termos desertos e pântanos alimentares, definindo respectivamente a vulnerabilidade de acesso espacial à alimentação saudável e a alta concentração de ofertas comerciais de alimentos com preços e valor nutricional baixos, que infringem o direito à segurança alimentar e nutricional.

Objetivo:O propósito do estudo se dirige a compreender como um microambiente se relaciona à promoção ou proteção de alteração do estado nutricional e identificar quais as características do acesso e consumo alimentar, bem como a percepção do desfecho nutricional individual por um segmento de população urbana.

Metodologia:Estudo transversal, de abordagem qualitativa, realizado em uma regional administrativa da Secretaria Municipal de Abastecimento de Curitiba. A população do estudo compreendeu adultos, a partir de 18 anos de idade, usuários de um programa municipal de abastecimento. A coleta de dados envolveu aplicação de entrevistas sobre aspectos psicológicos e socioculturais de práticas alimentares, analisados a partir de transcrição e categorização de relatos sistematizados e comparados entre obesos e não obesos, segundo IMC.

Resultados:Relatos de 19 participantes, sendo 11 não obesos (eutróficos e com sobrepeso) e 8 classificados com obesidade foram analisados. Fragmentos de discursos dos entrevistados foram classificadas e categorizadas segundo três dimensões: “lógicas sobre alimentos; “itinerários de escolha e atitudes”; e “alimentos e saúde”. Em cada dimensão descritores foram estabelecidos sobre o imaginar, o pensar, o ponderar ou julgar, e o fazer declarado pelos participantes em relação ao seu consumo alimentar. Com estes dados coletados, foi possível analisar as diferenças entre as percepções alimentares dos indivíduos, de forma a compreender o microambiente alimentar no qual vivem, e assim ponderar sobre escolhas alimentares que são originadas por conhecimentos prévios sobre alimentação saúde e nutrição que acarretam desfechos nutricionais ao longo do percurso da vida do indivíduo.

Conclusões:Foi possível identificar que, na vivência em um microambiente alimentar, para além do tipo de oferta comercial, do acesso físico e econômico aos alimentos, a conexão entre a lógica de valoração e ponderação sobre a comida e as atitudes efetivas referentes às práticas alimentares são influenciadores importantes do desfecho nutricional. Mediante essa exploração das subjetividades sobre as práticas alimentares cotidianas, se pode subsidiar a discussão sobre uma maior ênfase da dimensão humana como elemento transversal às práticas de abastecimento alimentar, saúde e educação alimentar e nutricional no âmbito das políticas públicas, no sentido de promover a literacia relativa à segurança alimentar e nutricional em grupos da população.

Palavras-chave:Desertos alimentares. Microambiente alimentar. Consumo alimentar. Pesquisa qualitativa

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador