VALIDAÇAO DO MÉTODO MICROBLUE-POLI (MBP) PARA DETECÇÃO DE RESISTÊNCIA À POLIMIXINA EM ENTEROBACTÉRIAS

LEMKE, Angela Guzzo1; BECKER, Guilherme Nardi 3; KULEK, Débora 3; KALLUF, Karin 3; PILONETTO, Marcelo2;

Resumo

Introdução:Com a redução das opções terapêuticas viáveis em tratamento de infecções devido ao advento da resistência antimicrobiana, é de grande valia o desenvolvimento de métodos eficazes de detecção rápida de resistência. Em especial da polimixina, último recurso para tratamento de bactérias multirresistentes. Atualmente o único método válido para detecção de resistência bacteriana às polimixinas seria a Microdiluição em Caldo (BMD – Broth Microdilution). O método é eficaz, porém demanda um alto custo de materiais e elevada complexidade.

Objetivo:Estabelecer um novo método rápido de detecção de resistência às polimixinas – o Blue-Poli (BP), e avaliar sua eficácia frente ao BMD.

Metodologia:Foram selecionados 115 isolados de cepas provenientes da rotina do Laboratório Central do Paraná (LACEN-PR) recebidas no período de agosto de 2017 até fevereiro de 2019. Dentre elas, 55 (47,8%) são sensíveis e 60 (52,2%) são resistentes à polimixina. Uma adaptação dos métodos BlueCarba e Poli NP foi proposta por Becker e Pillonetto (BP), mas com as diluições preparadas segundo uma adaptação da técnica de micro-eluição (Simner, PJ et al., 2018). O método Blue-Poli conta com uma concentração final de colistina na solução de 2 µg/mL, feita a partir de um disco de 10 µg de colistina eluído em 5 mL de caldo Mueller-Hinton cátion ajustado (CAMHB), acrescido de solução de glicose 1% e indicador de pH (azul de bromotimol a 0,04%), resultando em uma solução final de pH 7.0. Foi utilizada uma microplaca de titulação, e em cada orifício foi dispensado 200 µL desta solução (BP 2,0) e em seguida inoculada uma suspensão de 20 µL de bactéria com turbidez equivalente a 0,5 da escala de McFarland. O crescimento de bactérias na solução com a colistina indica bactéria resistente, e pode ser visualizada pela viragem de cor da solução do azul de bromotimol para amarelo. A leitura dos resultados é feita quatro horas após a incubação inicial do método BP. A partir disto verificou-se a acurácia, Very Major Error (VME) e Major Error (ME) do método testado.

Resultados:Dentre os 115 isolados, 104 (90,4%) estão em total concordância com o método padrão ouro de detecção de resistência à colistina, a microdiluição em caldo (BMD). Entretanto, 11 (9,6%) apresentaram divergências. Apesar desta discrepância, o método apresentou boa sensibilidade. Dentre as 55 cepas sensíveis à colistina, oito (14,55%) foram detectadas pelo método como sendo resistentes, constituindo um Major Error. Das bactérias resistentes, que são em 60, três (5%) foram determinadas pelo método como sensíveis, sendo um Very Major Error. A porcentagem de VME e ME é baixa, apresentando o método uma boa especificidade.

Conclusões:O método testado mostrou ser eficaz, apresentando um menor custo e maior rapidez nos resultados se comparado ao BMD, além de sua fácil interpretação. Portanto seu uso pode ser recomendado para laboratórios de rotina.

Palavras-chave:Blue-Poli. polimixinas. mcr-1. Método rápido. Resistência antimicrobiana

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador