AVALIAÇÃO DO POLIMORFISMO -764 G/C NO GENE DO IFNG EM PACIENTES ATENDIDOS NO AMBULATÓRIO ACADÊMICO DA PUCPR – CAMPUS LONDRINA/PR

ZANLUCHI, Vitória Bezerra de Sa1; FREDERICO, Regina Celia Poli2;

Resumo

Introdução:Estudos genéticos forneceram insights fundamentais sobre os mecanismos moleculares subjacentes à enxaqueca, principalmente o processo inflamatório e os componentes do sistema imune. Atualmente há 38 loci gênicos distintos e 45 polimorfismos de nucleotídeo simples (SNPs) independentes associados à migrânea.

Objetivo:Determinar se há diferença das frequências genotípicas e alélicas dos genes Interferon-? no grupo de indivíduos com enxaqueca comparando com o grupo controle (sem enxaqueca);

Metodologia:O universo deste estudo foi constituído por amostra de conveniência com participantes atendidos no ambulatório acadêmico de cefaleia da PUCPR campus Londrina, PR entre 18 e 60 anos de idade, de ambos os gêneros. Para triagem se o participante seria controle ou caso foi aplicado ID-Migraine se para ser caso precisa ter no mínimo dois sim das três perguntas; em seguida nos indivíduos considerados casos foi aplicado STAY I e II, inventário de depressão de Becker, questionário MIDAS e o teste de impacto da dor de cabeça (HIT-6); já para os controles os mesmos exceto MIDAS e o teste de impacto da dor de cabeça. A extração de DNA foi realizada por meio da utilização do Kit PureLink – Invitrogen de acordo com as instruções do fabricante. Para a genotipagem do (rs2069707) SNP do gene IFN-? usando a técnica de PCR em tempo real para a discriminação alélica (G/C). O teste exato de Fisher e o teste do Qui-quadrado foram utilizados para estabelecer diferenças significativas entre as frequências alélicas e genotípicas do gene INFgama e variáveis clínicas entre os grupos de pacientes com e sem migrânea. O nível de significância de 5% foi adotado.

Resultados:42,3% dos pacientes apresentaram migrânea com aura. Quanto aos fatores acompanhantes 96,2% apontaram fonofobia e fotofobia e 42,3% a osmofobia.Foi relatado como agravantes da enxaqueca atividade física por 39,4% dos enxaquecosos, 31,8% e 39,4% a luminosidade e calor, respectivamente. 48,5% apresentaram a enxaqueca crônica. Houve uma associação estatisticamente significativa entre a frequência genotípica e migrânea (p=0,003). 33,3% dos pacientes apresentaram o genótipo GG enquanto que somente 3,3% que tinham esse genótipo estavam livres da doença. Os pacientes portadores do genótipo GG apresentam 14,5 vezes mais chances de ter enxaqueca que os indivíduos portadores do genótipo CG (IC95%: 1,74-120,9; p = 0,007). Zhong, Fangming; Dai, Tao e Sheng, Yu (2018) relataram que o alelo G desse polimorfismo está associado com risco aumentado de desenvolver pericardite tuberculosa, uma doença que gera resposta inflamatória, portanto provável que esse alelo gere uma maior expressão do gene de IFNG, visto que ele é o responsável por estimular a resposta Th1, a qual leva a liberação das interleucinas que aumentam o processo inflamatório.

Conclusões:Nosso estudo demonstrou que o genótipo GG do polimorfismo -764 G/C no gene do IFNG tem uma relação com migrânea, indicando que quem o apresenta tem uma chance de 14,5x maior de apresentar essa condição em relação à indivíduos heterozigotos para esse gene. No entanto, é importante ressaltar que essa pesquisa foi feito com um n amostral pequeno e necessita de novos estudos para confirmar esse achados.

Palavras-chave:Transtornos de enxaqueca. Polimorfismo genético. Interferon gama. Inflamação. Fisiopatologia

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador