UM ESTUDO ACERCA DA CONSTRUÇÃO DO IDEÁRIO MONÁRQUICO E POLÍTICO DENTRO DA ALEGORIA DE RAIMUNDO LÚLIO, O LIVRO DAS BESTAS (1285-1294)

SOUZA, Anna Luiza Dias Rosa de1; MOCELIM, Adriana2;

Resumo

Introdução:A análise da obra de Raimundo Lúlio, O Livro das Bestas, século XIII, é a base para o presente trabalho. Escrito como uma espécie de guia para Felipe IV, o Belo, rei da França, o Livro das Bestas funciona como um pequeno compêndio, escrito em forma de alegoria, de virtudes, pensamentos e ações que um bom governante deveria ter para ser ideal.

Objetivo:Assim objetiva-se estudar e analisar a construção do ideário monárquico e político na sociedade feudal do século XIII, presente na obra “O Livro das Bestas”, de Raimundo Lúlio.

Metodologia:Com uma proposta de análise aprofundada da obra, pretendeu-se entender como ela retratava a atuação dos agentes políticos dentro da corte, de que forma o autor constrói esse ideal de rei e quais as críticas acerca da realidade da monarquia estão presentes na obra. A construção desse trabalho se deu por meio de pesquisas que contextualizassem a vida e a obra do autor, diversas leituras da fonte foram realizadas para compreender melhor a proposta de Lúlio, assim como pesquisas concernentes aos termos e conceitos envolvidos na obra. Com os resultados dessas diversas leituras, iniciou-se o debate, a discussão e análise acerca das questões encontradas.

Resultados:A simbologia que permeia a obra serve de destaque na análise e compreensão da influência católica no imaginário e na realidade da Idade Média da Península Ibérica. Após definidos os pontos necessários, ao analisar a fonte, verificou-se diversas questões acerca das virtudes e qualidades que esperava-se de um rei dentro de uma realidade feudal cristã. Justo, bom, forte, leal, temente a Deus, honrado e honesto, eram algumas das qualidades descritas por Lúlio como vitais para um bom governante. Escolhido por Deus, acreditava-se que o rei tinha como missão guiar seu reino até o caminho divino e, para tanto, as qualidades de um rei cristão eram necessárias.

Conclusões:O que se percebe, ao final, é a clara influência que a religião católica exercia na política e no imaginário da época. As virtudes que se esperam de um rei, são virtudes de um rei temente a Deus, que segue seus mandamentos e teme a sua palavra. Resultado de um contexto de Reconquista Cristã, a reafirmação da fé se torna necessária e presente. Um rei que defenda e represente a imagética e virtudes católicas é, na obra, o objeto final.

Palavras-chave: Raimundo Lúlio. Monarquia. Política. Idade Média. Península Ibérica.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador