AVES FLORESTAIS DO PARQUE ESTADUAL DO PALMITO, PARANÁ: RIQUEZA, ABUNDÂNCIA E GRUPOS ECOLÓGICOS FUNCIONAIS

NONATO, Juliane1; CARRANO, Eduardo2;

Resumo

Introdução:A Mata Atlântica é o Bioma mais ameaçado do Brasil, restando apenas 7,9% da sua área original, sendo considerada um dos 25 hotspots mundiais de biodiversidade, abrigando mais de 1.000 espécies de aves, muitas delas endêmicas, raras e ameaçadas de extinção.

Objetivo:Analisar as diferenças sazonais na riqueza, abundância e grupos ecológicos funcionais de aves no Parque Estadual do Palmito e Comparar os resultados obtidos com outros estudos realizados na Mata Atlântica na região sul do Brasil.

Metodologia:O estudo foi desenvolvido no Parque Estadual do Palmito (PEP), Paranaguá, PR, com 10 amostragens de campo mensais entre agosto de 2018 e junho de 2019, com dois dias de duração cada e esforço amostral total de 200 horas. Utilizou-se as técnicas tradicionais de estudos ornitológicos, contato visual e auditivo, além de captura em redes de neblina. Para a captura das aves foram utilizadas 10 redes instaladas no interior e borda da floresta com esforço de 2.000 horas/rede. Todas as aves capturadas receberam anilha metálica do CEMAVE. Avaliou-se também a frequência de ocorrência (FO), abundância relativa (AR), sazonalidade e grupos ecológicos funcionais.

Resultados:Foram registradas 173 espécies de aves e 54 famílias, sendo deste total 20 espécies endêmicas do Brasil e 55 endemismos da Mata Atlântica. Em relação a sazonalidade, o verão foi estação com maior riqueza específica, com 140 espécies registradas, seguindo da primavera (n=133) e outono e inverno com 117 espécies cada. Obteve-se ainda 11 espécies migratórias que ocorrem no PEP apenas na primavera e verão. Para Frequência de Ocorrência (FO), 51 espécies apresentaram valor máximo (FO=100%), enquanto 25 espécies tiveram foram FO mínima de 10%. Ainda, 13 espécies são consideradas ameaçadas de extinção, sendo destaque: Crypturellus noctivagus, Amadonastur lacernulatus, Ramphastos vitellinus, Amazona brasiliensis, Platyrinchus leucoryphus e Sporophila frontalis. Nas redes de neblina foram obtidas 243 capturas, com 147 exemplares anilhados e 96 recapturas, relativas a 52 espécies e 25 famílias. As espécies com maior abundância relativa foram Trichotraupis melanops (AR=5,76%), Chiroxiphia caudata (AR=4,93%), Turdus albicollis (AR=4,52%) e Mionectes rufiventris (AR=3,7%). Foram obtidos 28 grupos ecológicos funcionais distintos, sendo os mais representativos: FOc (Frugívoros e onívoros de copa) com 13 espécies, Itg (Insetívoros de tronco e galho) com 11, OFbi (Onívoros e frugívoros de borda e interior) e N (Nectarívoros) com nove espécies.

Conclusões:Embora o estudo tenha um esforço amostral menor, quando comparado a outros realizados no PEP e/ou outras áreas da Mata Atlântica, a riqueza e abundância de aves podem ser consideradas relevantes, principalmente com o registro de diversas espécies endêmicas, raras e ameaçadas de extinção, bem como, pela ocorrência de diversos grupos ecológicos funcionais de aves. A ocorrência de espécies raras e/ou ameaçadas de extinção, e a diversificação dos grupos ecológicos funcionais presentes no PEP, demonstram a sua importância para conservação, uma vez que suas áreas adjacentes vêm sofrendo drásticas alterações antrópicas, através da urbanização, acarretando perda de hábitat, o que reforça a adoção urgente de medidas de fiscalização, manejo e conservação.

Palavras-chave:Mata Atlântica. Conservação. Amadonastur lacernulatus. Platyrinchus leucoryphus. Sporophila frontalis.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador