ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS EM CÃES GERIÁTRICOS

PAGNUSSAT, Angela Aparecida1; JUNIOR, José Ademar Villanova 3; BATTISTI, Michelly Kheidy Borges 3; WEBER, Saulo Henrique 3; JUNIOR, Jose Ademar Villanova2;

Resumo

Introdução:Estudar os cães geriatras é fundamental para garantir a saúde e bem-estar deles e melhorar o convívio destes com outros animais e tutores. O cão idoso pode demonstrar não somente alterações físicas provenientes do envelhecimento, mas também redução da atividade do sistema imune, degenerações orgânicas, mudanças comportamentais e de temperamento, além de diminuição da memória. A disfunção cognitiva canina (DCC) é um processo neurodegenerativo com patogênese desconhecida, que atinge animais idosos, razão pela qual é fundamental diferenciar comportamentos vindos da senilidade e comportamentos relacionados à DCC. Mudanças comportamentais e alterações do estado mental são comuns em animais idosos, entretanto, se exacerbados podem ser decorrentes da DCC, que é frequente e pode ser subdiagnosticada.

Objetivo:O presente estudo avaliou 153 cães com idade igual ou superior a seis anos, de ambos os sexos, sem histórico de doença neurológica, endócrina ou metabólica.

Metodologia:A avaliação ocorreu por meio da aplicação de questionário específico para alterações comportamentais abordando desorientações, mudanças nas interações sociais, ciclo sono-vigília, aprendizado e memória e possível diagnóstico presuntivo para doença cognitiva, visto que o diagnóstico definitivo só é possível no exame post mortem do cérebro.

Resultados:As respostas do questionário foram convertidas em pontuações, cujo somatório classificou o cão com disfunção cognitiva (DCC) 47/153 (30,71%), início de sinais clínicos (ISC) 77/153 (50,32%) e sem alterações comportamentais (SAC) significativas 29/153 (18,95%), compatíveis com quadro normal de senilidade. Os estudos não têm demonstrado predisposição para o desenvolvimento da DCC em relação ao sexo e ao porte dos cães (Fast et al., 2013; Katina et al.,2016). Foi observado no presente estudo, um índice elevado de cães que já tiveram pelo menos uma crise convulsiva perceptível pelo proprietário. Packer (2018) em seus estudos observou que cães com epilepsia idiopática apresentam maior risco de desenvolvimento precoce da DCC, quando comparados a cães sem esta afecção, o que aumenta naturalmente o risco de desenvolvimento da DCC, conforme vão envelhecendo. Segundo Frank (2002) as queixas mais frequentes por parte dos donos de cães com DCC estão relacionadas com comportamentos destrutivos, eliminação anormal (sujidades) e vocalização excessiva, que também foram observados no presente estudo. Segundo Heath (2002) a eliminação anormal de urina e fezes pode ocorrer por duas razões: devido à desorientação decorrente da demência, o animal pode sentar-se do lado errado da porta, em vez de ir ao lado exterior e fazer as suas necessidades, ou pode simplesmente deixar de associar os locais apropriados à eliminação, começando a fazê-la em locais variados (Heath, 2002). Nas anamneses foram observadas evidencias de cardiopatias e eventuais anorexias, o que comprova o estudo segundo Tilley e Smith (2008). Em animais que sofrem de doenças crônicas ou recorrentes, ou que estão constantemente sujeitos a situações de estresse, a acumulação de radicais livres é mais evidente. Assim, estes terão maior risco de apresentarem sintomas da disfunção cognitiva (Tilley e Smith, 2008).

Conclusões:Considerando que animais com DCC podem ter alta sobrevida, torna-se necessário o diagnóstico precoce para reduzir a evolução dos sinais clínicos e possibilitar o tratamento adequado, como enriquecimento ambiental, dieta especificas e medicamentos apropriados.

Palavras-chave:Comprometimento cognitivo. Gerontologia. Envelhecimento prematuro. Demência senil. Doença do sistema nervoso

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador