ESTUDO RETROSPECTIVO DA HIPOTERMIA E PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS TRANS E PÓS-ANESTÉSICOS EM CÃES E GATOS ATENDIDOS NO SERVIÇO DE ANESTESIOLOGIA DA CLÍNICA VETERINÁRIA ESCOLA DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ

FERREIRA, Priscila Souza1; VIEIRA, Andresa 3; SILVA, Fernanda Amorelli Viriato da 3; ALBERNAZ, Daniel Gonzalez Peres 3; DUQUE, Celina Tie Nishimori2;

Resumo

Introdução:A definição de hipotermia é a situação em que a temperatura central se encontra abaixo da temperatura média estabelecida para a espécie em questão quando em repouso. Essa redução de temperatura pode causar diversas alterações extremamente deletérias ao organismo (FANTONI, 2010). A hipotermia pode ser classificada em leve (36,5-38,5°C), moderada (34-36,4°C) e severa (<34°C), segundo Redondo et al. (2012), levando em consideração as variáveis, como, peso, idade, raça, espécie, classificação ASA, tempo de anestesia, temperatura ambiente e métodos de controle de temperatura. Em relação as alterações respiratórias têm-se a hipoventilação também chamada de hipercapnia, que é caracterizada pela concentração de dióxido de carbono expirada acima de 50 mmHg, valor obtido com o uso do capnógrafo.

Objetivo:O objetivo da pesquisa foi determinar as principais causas e ocorrências de hipotermia e alterações respiratórias em cães e gatos durante o período de janeiro de 2014 a dezembro de 2017, na Clínica Veterinária Escola da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, com o objetivo final de melhorar as técnicas e oferecer um melhor atendimento aos animais.

Metodologia:Foram analisados 2.086 prontuários anestésicos, sendo destes 1799 cães, 287 gatos. A análise dos dados foi por meio da classificação dos tipos de hipotermia e alterações respiratórias em cada espécie e aplicando estatística descritiva.

Resultados:Os resultados obtidos foram separados em cães e gatos e posteriormente classificados em hipertérmicos (1,89% cães – 0,89% gatos), normotérmicos (6,95% cães – 17,42% gatos), com hipotermia leve (27,69% cães – 21,95 gatos), hipotermia moderada (39,02% cães – 35,88% gatos), hipotermia severa (0,94% cães – 4,87% gatos). Já 73,9% dos animais no total encontravam-se com o prontuário sem o valor de ETCO2, e 20,39% com valor dentro do limite normal, 3,70% com valores acima do normal. Entre os cães, 23,52% não obtinham dados de temperatura, assim como 19,19% dos gatos, portanto foram excluídos da classificação de hipotermia, sendo um erro de monitoramento desses animais.

Conclusões:Com esse estudo observamos que a hipotermia pode ter diversas causas e as mesmas interagem entre si, potencializando o efeito hipotérmico, como temperatura ambiente, manutenção da temperatura e anestésicos utilizados. A depressão respiratória que resulta na hipercapnia pode ser explicada pelos fármacos depressores e suas associações. Sendo assim, a partir deste, pode-se implantar novas práticas na rotina da Clínica Veterinária Escola, que evitem a incidência dessas condições perioperatórias tão comuns, como por exemplo, mudanças nos protocolos, fazendo-os mais balanceados a fim de evitar efeitos indesejáveis e melhorar temperatura ambiente, garantindo melhor recuperação anestésica e bem-estar aos animais.

Palavras-chave:Termorregulação. Hipercapnia. Anestesiologia. Monitoração.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador